Pagar o mínimo da fatura: quanto custa o rotativo e o que fazer
O que acontece com o resto da fatura quando você paga o mínimo, quanto o rotativo custa, as regras que limitam os juros e o prazo, por que o mínimo puxa o pagamento para baixo e o que fazer antes da próxima fatura.
Equipe NobiraAtualizado em · 5 min de leitura
Ver quanto foi para o rotativo, no NobiraPaga em partePagou R$ 300 de R$ 2.000
- Pagamento em 10/10300,00
- Foi para o rotativo1.700,00
- Compras de outubro1.240,00
- Pago
- R$ 300
- Rotativo
- R$ 1.700
- Vence
- 10/11
Pagar o mínimo evita o atraso, mas o resto da fatura vira crédito rotativo, a linha mais cara do cartão: 444,9% ao ano na média de agosto de 2026, segundo o Banco Central. O rotativo só pode durar até a fatura seguinte, e juros e encargos nunca passam do valor da dívida. Se não der para pagar tudo, pague o máximo que puder, não o mínimo.
O que acontece quando você paga o mínimo
Um exemplo com valores fictícios. A fatura de setembro é de R$ 2.000,00, e o mínimo pedido pelo contrato é R$ 300,00. Você paga só os R$ 300,00 no vencimento.
- A fatura não fica atrasada. Atraso é pagar menos que o valor obrigatório.
- Os R$ 1.700,00 que faltaram viram rotativo. Rotativo é o empréstimo automático que o banco faz do resto da fatura, com juros cobrados na fatura seguinte.
- A conta chega em outubro. À taxa média de agosto, cerca de 15,2% ao mês, os juros dão perto de R$ 258,00, somados às compras novas.
O valor mínimo não é fixado pelo Banco Central desde junho de 2018, quando a Circular 3.892 revogou o percentual que valia para todos. Hoje, pela Resolução BCB 96, o valor obrigatório soma o saldo do rotativo com os encargos, as parcelas de parcelamentos de fatura anteriores e o mínimo do contrato sobre as compras do mês. O banco tem de avisar com 30 dias de antecedência quando muda esse mínimo.
Quanto custa o rotativo
Nas tabelas de crédito do Banco Central de 29 de setembro de 2026, a Tabela 16 traz as taxas médias para pessoas físicas em agosto, ainda preliminares:
- Cartão rotativo: 444,9% ao ano.
- Cartão parcelado (inclui o parcelamento da fatura): 192,1% ao ano.
- Cheque especial: 136,4% ao ano.
- Crédito pessoal não consignado: 110,2% ao ano.
- Crédito pessoal consignado: 29% ao ano.
Na Tabela 20 do mesmo arquivo, a inadimplência do rotativo era de 66,2% em agosto. É a linha de crédito à pessoa física com mais atraso na tabela. A taxa do seu cartão pode ser maior ou menor que a média: ela aparece na fatura e no contrato.
As regras que protegem você
- O rotativo dura uma fatura. Pela Resolução CMN 4.549, de 2017, o saldo só pode ficar no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o banco só pode financiar o que sobrou num parcelamento em condições mais vantajosas que as do rotativo.
- Os juros têm teto. A Lei 14.690, de 2023, e a Resolução CMN 5.112 limitam o total de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura ao valor original da dívida, nas operações desde janeiro de 2024. No exemplo, os R$ 1.700,00 podem gerar no máximo R$ 1.700,00 de juros e encargos.
- Dá para renegociar a qualquer momento. A mesma resolução garante a renegociação, com o mesmo teto contado sobre a dívida inicial.
- O total vem primeiro. Pela Resolução BCB 96, o valor total da fatura tem de aparecer como a opção padrão de pagamento, e o banco tem de avisar do vencimento pelo menos dois dias antes, dizendo que não pagar o total gera juros e encargos.
Por que o mínimo puxa o seu pagamento para baixo
O número do mínimo na fatura não é neutro. Neil Stewart, da Universidade de Warwick, entregou a 413 pessoas no Reino Unido uma fatura fictícia de £ 435,76 (Psychological Science, 2009, DOI 10.1111/j.1467-9280.2008.02255.x). Uma parte viu um mínimo de £ 5,42; a outra, a mesma fatura sem o mínimo. A parte que pagaria tudo ficou igual nos dois grupos. Entre quem pagaria só uma parte, a média foi de £ 99 com o mínimo à vista e de £ 175 sem ele. A fatura era hipotética e a amostra, britânica, mas o efeito foi grande.
Com dados reais, Benjamin Keys e Jialan Wang (NBER, 2016, publicado depois no Journal of Financial Economics) olharam contas que cobrem um quarto do mercado de cartões dos Estados Unidos. Cerca de 29% das contas pagavam com frequência o mínimo ou perto dele. Quando os bancos mudaram a fórmula do mínimo, de 9% a 20% das contas reagiram ao número novo mais do que a falta de dinheiro explicaria. Os autores tratam isso como o piso do efeito âncora: a pessoa se guia pelo número da fatura, e não pelo que pode pagar.
A lição prática é a ordem das coisas: decida quanto pode pagar antes de olhar o mínimo.
O que fazer, em ordem
- Pague o total, se tiver o dinheiro. Mesmo que precise tirar da reserva: nenhuma aplicação comum rende perto de 444% ao ano.
- Não dá o total: pague o máximo. Cada real a mais pago hoje é um real a menos com juros de rotativo no mês que vem.
- Compare antes da próxima fatura. A Resolução CMN 4.549 permite trocar o rotativo por outra linha mais barata a qualquer momento antes do vencimento seguinte. Peça o custo efetivo total do parcelamento da fatura e compare com um empréstimo pessoal ou consignado.
- Não deixe a fatura seguinte chegar sem plano. Depois dela, o que sobrar só pode ser financiado num parcelamento, que pesa nas faturas dos meses seguintes.
- Olhe o que já está comprometido. Parcelas de compras e do parcelamento da fatura somam nas próximas. O guia sobre quanto das próximas faturas já está comprometido mostra a conta.
O jeito no Nobira
Depois de conectar os cartões pelo Open Finance, só para leitura, a página Cartões mostra cada fatura no lugar:
- A fatura paga em parte, com os valores. No exemplo, o cartão avisa, em tom de alerta, que você pagou R$ 300 de R$ 2.000 da fatura de setembro. O resto, R$ 1.700, vai para o rotativo, os juros mais caros do cartão, e o app pede para pagar o quanto antes.
- O pagamento não vira gasto. O que você pagou da fatura entra como pagamento de fatura, e não como uma despesa a mais no mês.
- A fatura aberta e as próximas. Quanto já foi lançado, quanto deve fechar e, em Parcelamentos, as parcelas que pesam nos meses seguintes.
- O limite usado, com aviso quando está perto do fim e uma compra pode ser recusada.
- Todos os cartões da casa, de todos os bancos, num lugar só.
O Nobira não paga nem renegocia nada: isso é com você, no banco. O que ele faz é mostrar o resto da fatura antes que ele vire surpresa na próxima.
Perguntas frequentes
Pagar o mínimo da fatura é atraso?
Não. Pagando pelo menos o valor mínimo até o vencimento, a fatura não está atrasada: o resto vira crédito rotativo, com juros. Atraso é pagar menos que o mínimo, e aí entram também multa e juros de mora.
Por quanto tempo o saldo pode ficar no rotativo?
Só até o vencimento da fatura seguinte, pela Resolução CMN 4.549. Se o saldo não for pago até lá, o banco só pode financiá-lo num parcelamento em condições mais vantajosas que as do rotativo.
Os juros do rotativo têm limite?
Sim. Desde janeiro de 2024, pela Lei 14.690 e pela Resolução CMN 5.112, o total de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não pode passar do valor original da dívida. Uma dívida de R$ 1.700,00 pode gerar, no máximo, R$ 1.700,00 de juros e encargos.
Como é calculado o valor mínimo da fatura?
Desde junho de 2018 não existe um percentual mínimo fixado pelo Banco Central: ele está no contrato do seu cartão, e o banco tem de avisar com 30 dias de antecedência quando muda. O valor obrigatório soma esse mínimo das compras do mês, o saldo do rotativo com os encargos e as parcelas de parcelamentos de fatura anteriores.
É melhor parcelar a fatura ou pegar um empréstimo?
Depende das taxas que você conseguir, e por isso vale comparar o custo efetivo total antes da próxima fatura. Na média de agosto de 2026, segundo o Banco Central, o rotativo custava 444,9% ao ano, o cartão parcelado 192,1%, o crédito pessoal não consignado 110,2% e o consignado 29%.
O Nobira paga a fatura por mim?
Não. O Nobira só lê os dados que você autorizar pelo Open Finance. Ele mostra quanto da fatura foi pago, quanto foi para o rotativo e o que vem na próxima, mas o pagamento é feito por você, no banco.
Este artigo explica regras e conceitos e não é recomendação de crédito. As taxas citadas são médias do mercado; a do seu cartão está na fatura e no contrato. O Nobira lê, pelo Open Finance, os dados que você autorizar, só para leitura: não paga, não transfere e não muda nada no banco. As telas descritas são as do app na data de atualização e podem mudar.
Quanto das suas faturas foi para o rotativo?
Conecte os cartões e veja cada fatura no lugar.
Conexão só para leitura pelo Open Finance. A partir de R$ 5,90 por mês, para a casa inteira.
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- Rotativo
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