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Cheque especial: o limite de juros e quanto custa entrar no negativo

O teto de juros do cheque especial, a conta de quanto custam alguns dias no negativo, o que a regra do Banco Central diz sobre o seu limite e como sair do cheque especial sem pagar mais juros.

Equipe NobiraAtualizado em · 4 min de leitura

Ver quanto o cheque especial custa, no Nobira
No NobiraDívidas · novembro
Cheque especial em uso R$ 1.500,00 Um mês assim: ~R$ 129
  1. Conta corrente−1.500,00
  2. Caixinha2.300,00
  3. Salário dia 54.800,00
Limite
R$ 2.000
Taxa
8% a.m.
Em uso
75%
Exemplo com dados fictícios.

O cheque especial tem teto de juros: 8% ao mês sobre o que você usa, cerca de 152% ao ano. É um dos créditos mais caros do país, e o banco cobra por dia. Se a conta vai ficar no negativo, tirar da caixinha ou adiar um pagamento quase sempre sai mais barato. E você pode pedir um limite menor, ou nenhum.

Qual é o limite de juros

Desde 2020, a Resolução 4.765 do CMN limita os juros do cheque especial a, no máximo, 8% ao mês sobre o valor usado. A regra vale para pessoas físicas e microempreendedores individuais.

  • Por ano, o teto dá cerca de 152%, porque os juros se acumulam sobre juros.
  • A média fica abaixo do teto, mas perto. Nas tabelas de crédito do Banco Central de 29 de setembro de 2026, a taxa média do cheque especial para pessoas físicas foi de 136,4% ao ano em agosto, dado preliminar.
  • Por cima vem o IOF. Pelo Decreto 6.306, no crédito à pessoa física ele é de 0,0082% ao dia sobre o saldo devedor, mais um adicional de 0,38%.

A mesma resolução permitia cobrar uma tarifa pelo limite acima de R$ 500, mesmo sem uso. Essa tarifa foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e revogada pelo CMN a partir de 1º de novembro de 2021. Hoje, ter o limite não custa nada; usar, custa.

Quanto custam alguns dias no negativo

Um exemplo com valores fictícios. A conta fica R$ 1.500,00 no negativo por 20 dias, até o salário cair:

  • Juros, no teto de 8% ao mês: cerca de R$ 79.
  • IOF: cerca de R$ 8.
  • Se o dinheiro saísse da caixinha, rendendo 1% ao mês, ela deixaria de render cerca de R$ 10 no mesmo período.

São quase R$ 90 contra R$ 10. A conta muda com a taxa da sua caixinha e com a do seu cheque especial, mas a diferença costuma ser desse tamanho.

O que o banco não pode fazer com o seu limite

A Resolução 4.765 também protege o tamanho do limite:

  • Você escolhe um limite baixo. O banco não pode impor limite acima de R$ 500 se você optar por um menor.
  • Aumento só com a sua autorização, pedida a cada oferta de aumento.
  • Redução com aviso. Se o banco reduzir o limite por conta própria, tem de avisar com 30 dias de antecedência, salvo quando o seu risco de crédito piora; aí, o aviso vem até o momento da redução.

Se o cheque especial vira hábito todo mês, pedir um limite menor é uma forma simples de não entrar nele por descuido.

Como saber se você está usando sem perceber

O cheque especial entra sozinho: basta um débito maior que o saldo. Três sinais:

  • O saldo do fim do dia ficou negativo, mesmo que por poucas horas antes de o dinheiro entrar.
  • O extrato tem linhas de juros e IOF no começo do mês seguinte. O nome muda de banco para banco.
  • O “disponível” do app inclui o limite. Confira se o número que você olha é o seu dinheiro ou o seu dinheiro mais o limite do banco.

Se os juros aparecem todo mês, o problema não é o cheque especial, é o calendário: dinheiro que entra depois das contas que saem. Uma reserva de emergência, mesmo pequena, cobre essa diferença. E o guia sobre quanto o banco te cobrou mostra como somar esses juros no ano.

Como sair do cheque especial

  1. Cubra hoje com dinheiro parado, da caixinha ou de uma aplicação de resgate imediato. Cada dia no negativo tem juros.
  2. Se não dá para cobrir, troque por um crédito mais barato. Um consignado ou um pessoal com custo efetivo total menor que o do cheque especial.
  3. Ache a causa. Uma conta que vence antes do salário, uma fatura alta, uma despesa do ano. Mudar a data de vencimento de uma conta pode resolver.
  4. Peça um limite menor quando a conta estiver no azul, para o próximo descuido parar no saldo e não no crédito.

Ver o custo em reais ajuda. Marianne Bertrand e Adair Morse testaram, numa rede de lojas de empréstimos de curto prazo nos Estados Unidos, o efeito de mostrar ao cliente quanto as taxas somam em dólares ao longo de várias renovações. A procura pelos empréstimos caiu cerca de 10% nos quatro meses seguintes (versão de trabalho, Universidade de Chicago, publicada no Journal of Finance em 2011, DOI 10.1111/j.1540-6261.2011.01698.x). O produto é outro, mas a lição serve: em reais, o juro pesa mais do que em porcentagem.

O jeito no Nobira

Depois de conectar as contas pelo Open Finance, só para leitura, o cheque especial aparece em reais:

  • Em cada conta corrente, o limite, quanto está em uso e a taxa ao mês, quando o banco informa.
  • Em Dívidas, o cheque especial em uso, com o custo de um mês assim em juros e IOF. Sem a taxa do banco, a conta usa o teto de 8% ao mês.
  • O aviso antes de faltar. Quando a previsão mostra que vai faltar dinheiro, o e-mail de alertas diz quanto falta, em que dia, quanto custaria cobrir com o cheque especial até o salário e quanto a caixinha deixaria de render.
  • Livre até o salário, na Visão geral: quanto sobra depois das contas que vencem antes de o salário cair.

O Nobira não transfere nem paga nada: isso é com você, no banco. O que ele faz é mostrar a conta antes de o negativo começar.

Perguntas frequentes

Qual é o limite de juros do cheque especial?

Oito por cento ao mês sobre o valor usado, pela Resolução 4.765 do CMN, para pessoas físicas e microempreendedores individuais. Isso dá cerca de 152% ao ano. Por cima dos juros vem o IOF.

O banco pode cobrar tarifa só por eu ter cheque especial?

Não. A tarifa sobre o limite, que a mesma resolução permitia desde 2020, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e revogada pelo CMN a partir de 1º de novembro de 2021.

Posso pedir um limite menor de cheque especial?

Pode. A Resolução 4.765 proíbe o banco de impor limite acima de R$ 500 se você escolher um limite mais baixo. E o banco só pode aumentar o seu limite com a sua autorização, pedida a cada oferta de aumento.

Vale a pena usar o cheque especial por poucos dias?

Só se não houver alternativa. Mesmo poucos dias custam juros e IOF. Tirar da caixinha ou adiar um pagamento quase sempre sai mais barato, porque o que a caixinha deixa de render é bem menos que os juros do cheque especial.

Como o Nobira mostra o cheque especial?

Cada conta corrente mostra o limite, quanto está em uso e a taxa ao mês, quando o banco informa. Em Dívidas, o cheque especial em uso aparece com o custo de um mês assim, em reais. E, quando a previsão mostra que vai faltar dinheiro, o e-mail de alertas compara cobrir com o cheque especial ou com a caixinha.

Este artigo explica regras e conceitos e não é recomendação de crédito. A taxa do seu cheque especial está no contrato e no extrato do banco. O Nobira lê, pelo Open Finance, os dados que você autorizar, só para leitura: não paga, não transfere e não muda nada no banco. As telas descritas são as do app na data de atualização e podem mudar.

Quanto o cheque especial custou para você?
Conecte as contas e veja o custo em reais.

Conexão só para leitura pelo Open Finance. A partir de R$ 5,90 por mês, para a casa inteira.

No NobiraDívidas · novembro
Cheque especial em uso R$ 1.500,00 Um mês assim: ~R$ 129
  1. Conta corrente−1.500,00
  2. Caixinha2.300,00
  3. Salário dia 54.800,00
Limite
R$ 2.000
Taxa
8% a.m.
Em uso
75%
Exemplo com dados fictícios.