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Regra 50-30-20: como funciona e se dá certo no Brasil

O que é a regra 50-30-20, de onde ela vem, o que entra em cada parte, o que os dados do IBGE dizem sobre ela no Brasil e como medir e ajustar as proporções da sua casa.

Equipe NobiraAtualizado em · 4 min de leitura

Ver as proporções da sua casa, no Nobira
No NobiraVisão geral · outubro
Mês típico da casa +R$ 600 As fixas são 63% da renda
  1. Renda esperada6.200,00
  2. Contas fixas−3.900,00
  3. Extras de 12 meses 13º e férias8.900,00
  4. Gasto variável−1.700,00
Fixas
63%
Variável
27%
Sobra
10%
Exemplo com dados fictícios.

A regra 50-30-20 divide a renda em três partes: metade para as necessidades, 30% para os desejos e 20% para poupar e pagar dívidas. É um bom ponto de partida, mas no Brasil, para quem ganha menos, só moradia e comida já passam da metade. O que funciona é medir as proporções da sua casa e escolher uma meta que dá para cumprir.

De onde vem a regra

A regra é atribuída ao livro All Your Worth, de Elizabeth Warren e Amelia Warren Tyagi, lançado nos Estados Unidos pela Free Press em 1º de março de 2005, segundo o registro do livro na Open Library. A ideia é dividir o dinheiro em três partes, em vez de controlar cada gasto.

Os percentuais 50, 30 e 20 aparecem em praticamente todo resumo do livro. Não encontramos, nas páginas que conseguimos abrir, o trecho do livro com esses números; por isso, aqui eles valem como a regra ficou conhecida, não como citação.

O que entra em cada parte

  • Necessidades (50%). O que você não pode deixar de pagar: moradia, comida, transporte, saúde, escola, contas da casa e as parcelas fixas de financiamentos. Atenção: necessidade não é o mesmo que despesa fixa. O Caderno de Educação Financeira do Banco Central define as fixas como “despesas que não variam ou variam muito pouco, como o aluguel, a prestação de um financiamento”. Luz e água variam, mas são necessidade.
  • Desejos (30%). Restaurante, viagem, roupa além do básico, streaming. O mesmo caderno lembra: “Entenda que não é errado você querer coisas que não sejam estritamente essenciais”.
  • Poupança e dívidas (20%). A reserva de emergência, os investimentos e o que você paga de dívida além do mínimo, como sair do rotativo do cartão.

Funciona no Brasil?

Depende da renda. A POF 2017-2018 do IBGE, a pesquisa que mede onde as famílias gastam, mostra que, na média do país, “as despesas com alimentação, habitação e transporte corresponderam a 72,2% da despesa de consumo média mensal das famílias brasileiras”.

Por faixa de renda, a diferença é grande. Nas famílias com até R$ 1.908 por mês, em valores de 2018, a alimentação foi 22,6% da despesa total. Na habitação, segundo o IBGE, “quando os rendimentos foram os mais baixos, a participação na despesa total foi de 39,2% e, na situação oposta, foi de 22,6%”.

  • Renda mais baixa: habitação e alimentação somam 61,8% da despesa. Só as duas já passam dos 50% da regra, antes de transporte, saúde e luz.
  • Renda mais alta, acima de R$ 23.850: as mesmas duas somam 30,2%. Aqui a regra fica folgada, e 50% para necessidades pode esconder gasto que é desejo.

Dois cuidados com esses números: a POF mede despesa, não renda líquida, e é de 2017-2018. Mas o recado continua: a regra foi pensada para outra realidade, e o 50% é meta para alguns e teto folgado para outros.

Como adaptar a regra à sua casa

Um exemplo com valores fictícios. Uma casa recebe R$ 6.200,00 líquidos por mês, paga R$ 3.900,00 em necessidades e gasta R$ 1.700,00 no resto. Sobram R$ 600,00. As proporções reais são 63-27-10.

  1. Meça três meses. Some o que entrou líquido, o que foi necessidade e o resto, mês a mês, nos bancos e cartões de todo mundo da casa, inclusive o que saiu por Pix.
  2. Calcule as suas proporções. Divida cada parte pela renda. No exemplo, 63%, 27% e 10%.
  3. Escolha uma meta possível. Sair de 63-27-10 para 50-30-20 de uma vez não acontece. Uma meta de 60-28-12 em seis meses é um começo.
  4. Tire a poupança primeiro. Separe a parte de guardar no dia em que o salário cai, como o Banco Central orienta no mesmo caderno, e viva com o resto.
  5. Revise quando a vida mudar. Aluguel novo, filho, emprego novo, um financiamento que termina: as proporções mudam, e a meta também.

Por que três partes ajudam: Chip Heath e Jack Soll mostraram, em três estudos (Journal of Consumer Research, 1996, DOI 10.1086/209465), que as pessoas criam orçamentos mentais por categoria e acompanham os gastos contra eles. Esse controle pode até levar a gastar menos que o previsto na categoria. Os estudos não testaram a regra 50-30-20, mas explicam por que poucas caixas, fáceis de acompanhar, funcionam melhor que um orçamento de trinta linhas.

O jeito no Nobira

O Nobira não tem um botão 50-30-20, mas mostra os números que você precisa para ver as suas proporções, com os bancos de todos da casa conectados pelo Open Finance, só para leitura:

  • O mês típico da casa, na Visão geral: renda esperada, menos as contas fixas, menos o gasto variável, igual ao que sobra num mês comum.
  • Quanto as fixas são da renda. O cartão diz que as fixas são, por exemplo, 63% da renda esperada, pelas contas fixas que você confirmou. Mercado e farmácia ficam no variável, então a sua parte de necessidades é um pouco maior que esse número.
  • Sem 13º, PLR e férias. O mês típico deixa os extras de fora e mostra à parte como o ano fecha com eles.
  • A poupança do mês, no Fechamento: quanto das entradas sobrou, com a média dos últimos meses. É a sua parte dos 20%.
  • Limites por categoria, com o que sobra depois das fixas e dos limites, e um aviso quando os limites passam da renda.

Com isso, a regra deixa de ser uma porcentagem genérica e vira a sua: você vê de onde parte e acompanha se está chegando aonde quer.

Perguntas frequentes

O que é a regra 50-30-20?

Um jeito de dividir a renda em três partes: cerca de 50% para as necessidades, 30% para os desejos e 20% para poupar e pagar dívidas. Ela é atribuída ao livro All Your Worth, de Elizabeth Warren e Amelia Warren Tyagi, de 2005.

A regra usa a renda bruta ou a líquida?

Use a líquida, o que cai na conta depois dos descontos. É esse dinheiro que paga as contas, e é sobre ele que as proporções fazem sentido.

E se as necessidades passarem de 50%?

É comum no Brasil, sobretudo com renda menor: na POF 2017-2018 do IBGE, habitação e alimentação já eram mais de 60% da despesa das famílias com até R$ 1.908 por mês. Comece pelas proporções que você tem hoje e escolha uma meta possível, como 60-30-10, para ir mudando aos poucos.

Pagar dívida entra nos 20%?

A parte que vai além do mínimo, sim: quitar o rotativo ou adiantar um parcelamento é tão útil quanto guardar. A parcela fixa de um financiamento que você não pode deixar de pagar fica nas necessidades.

O Nobira calcula a regra 50-30-20?

Não com esse nome. O Nobira mostra o mês típico da casa, com a renda esperada, as contas fixas, o gasto variável e o que sobra, quanto as fixas são da renda e, no Fechamento, quanto você poupou das entradas. São os números que você precisa para ver as suas proporções.

Este artigo explica conceitos e não é recomendação de investimento. O Nobira lê, pelo Open Finance, os dados que você autorizar, só para leitura: não paga, não transfere e não muda nada no banco. As telas descritas são as do app na data de atualização e podem mudar.

Qual é o 50-30-20 da sua casa?
Conecte os bancos e veja as suas proporções reais.

Conexão só para leitura pelo Open Finance. A partir de R$ 5,90 por mês, para a casa inteira.

No NobiraVisão geral · outubro
Mês típico da casa +R$ 600 As fixas são 63% da renda
  1. Renda esperada6.200,00
  2. Contas fixas−3.900,00
  3. Extras de 12 meses 13º e férias8.900,00
  4. Gasto variável−1.700,00
Fixas
63%
Variável
27%
Sobra
10%
Exemplo com dados fictícios.